Sobre a enertrade
A origem da comercialização de energia
A figura do comercializador surgiu no Projeto de Reestruturação do Setor Elétrico (RE-SEB), em 1998. Além de fomentar a competição, sua criação visava a separação clara das atividades de distribuição (fio) e comercialização de energia. Para segmentar as atividades, as empresas se organizaram em três áreas de negócio: distribuição, geração e comercialização. Grupos econômicos com mais de uma distribuidora passaram a utilizar a estrutura de comercialização para gerir o potfólio de energia.
A contratação da energia de empreendimentos de geração do próprio grupo por meio da comercializadora, em alguns casos, viabilizava o financiamento da obra por instituições financeiras, pois a existência de um contrato de longo prazo diminuía o risco do empreendimento. Outro beneficio proporcionado por essa estrutura era a troca de contratos de energia entre distribuidoras e comercializadora, de maneira a concentrar sobras e déficits do grupo na comercializadora. A medida que o risco energético passou a se concentrar na comercializadora, foi necessário desenvolver habilidades de gerenciamento de risco nesse segmento.
Com o advento do racionamento, empresas que reduziam o consumo, além do que o determinado pela Câmara de Gestão da Crise, passavam a ter o direito de vender tal capacidade em forma de certificado ou meta (instrumentos criados na época do racionamento para viabilizar o cumprimento dos limites de consumo determinado e minimizar o impacto em indústrias que possuíam processos que não permitiam alteração no consumo de energia elétrica ou troca de fonte energética.).
Os certificados de capacidade e metas de consumo de energia eram transferidos entre consumidores, localizados também em diferentes regiões. Dessa forma, as comercializadoras atuaram nesse mercado como “trader”, construindo sua carteira de consumidores industriais.
Com a proibição da auto-contratação e da presença das distribuidoras no segmento competitivo, a atividade de comercialização se definiu. Além disso, a experiência acumulada na gestão de risco, uma regulamentação melhor estruturada e a atividade de comercialização permitiram aos comercializadores se aproximarem dos consumidores potencialmente livres que passaram a enxergar a energia elétrica como um insumo gerenciável.